Num último dia esticado ao máximo, resolvi regressar ao método da sapatilha. Andei desde as 9h e pouco até agora a atravessar as pontes e a deambular pelas ruas enquanto movia o organismo à força das iguarias da terra. Não é que sejam pratos tradicionais, mas são as delícias que vejo os checos comer e turismo para mim é isto. Isto e andar a tirar fotos com sal grosso em primeiro plano.
Resolvi começar o dia a seguir conselhos e fui ao Cemitério Judeu. Acontece que ontem e hoje são dias importantes no calendário judeu e todos os monumentos relacionados com o judaísmo estão encerrados. Deu para espreitar da rua, ainda assim, e ter uma ideia do atropelo em que estão as pedras tumulares. Outros dos edifícios que gostava de visitar era o Teatro Nacional, por fora fantástico, por dentro não faço ideia porque parece estar encerrado para renovação, como aliás o Museu Nacional, o que até calhou bem porque embora seja um ponto indispensável, não me estava muito a apetecer museus a esta altura do campeonato. Assim olha, estava fechado, que pena! O Dancing Building lá levou a foto, mas ao vivo não é assim tão giro como em algumas fotos dos guias. Num grito de revolta, comi uma espetada como os locais o fazem, dentro de uma baguete com mostarda e ketchup (bem bom!!!), e saí da zona turística. No mercado de Praga, do outro lado do rio, acessível por uma ponte que nem pode ser atravessada a pé, arrependi-me da caminhada assim que comecei a topar o tipo de produto que lá se vendia. Desde catanas, facas de algibeira e aquelas estrelinhas que os ninjas usam nos filmes, armas brancas adaptadas a qualquer esconderijo, passando por produtos de marca contrabandeados e, claro, droga, ou não estivesse eu no país mais liberal da União Europeia relativamente ás drogas (não, não é a Holanda). A venda, ainda assim, é proibida, mas uma coisa é o que diz a lei e outra é o que dizem os meus olhos (para o caso do Daniel Oliveira não me convidar para o programa dele, aqui fica já a resposta). Ainda para mais, os comerciantes eram todos asiáticos com aspeto de serem mestres de artes marciais. Restou-me baixar o profile, retirar os óculos, esconder os mapas, tapar o relógio com o casaco, mãos nos bolsos, sobrolhos ligeiramente cerrados e sorriso abolido, e já que alí estava meti-me lá para dentro, perfeitamente preparado para levar de Praga um souvenir sob a forma de trauma físico e/ou mental. Claro que não foi bem este o estado de espírito mas confesso que me senti um bocado maricas quando encontrei uma velhota a sair de lá com um saco cheio de compras, que no caso dela eram alfaces, corcunda e com aspeto a quem apetece proteger. Em 10 minutos cheguei, vi e vim embora, já um bocado tocado pelo cheiro a erva que andava no ar. Fiz uma última ronda pela cidade e voltei para ver o Relógio Astronómico de São Miguel. Não o sei ler, mas é uma peça de arte a funcionar a céu aberto. As lojas de souvenirs estão cheias de réplicas em madeira (mas que dão só as horas) e não tivesse eu limitado a uma mochila, levava uns 5 ou 6.
Ao final da tarde, descobri o Metrónomo, um monumento no alto de um jardim de onde se avista toda a cidade. Muitíssimo bom ao final da tarde. Deu para apreciar a vista e pela quarta ou quinta vez em quinze dias voltei a ter pena de ir embora quando se começa a ganhar o gostinho. São precisos mais do que dois dias para conhecer Praga, não pelo tamanho mas pelo tempo que as coisas demoram a ver e pelo que a cidade oferece a quem cá vive (espaços verdes, ciclovias, passeios bem cuidados junto ao rio, ...). Mas pronto, o conceito é mesmo este, certo?! Chegar, salgar e seguir caminho.
Tudo bem, gente.