sábado, 28 de setembro de 2013

Lar, salgado lar!

E é com o sal grosso de volta a Lisboa que a Rota termina. Ao contrário do que previam alguns comentários, cheguei com os dois rins no sítio e a funcionar, mesmo tendo a noção de que me pus a jeito algumas vezes. Não calhou, talvez!

Durante o voo tive uma belíssima demonstração de como o céu nublado voltado do avesso é extraordinário, pelo que deixo aqui uma (má) foto em jeito de despedida. Agradeço a todos pelas mensagens de incentivo, no blog ou fora dele, e pela companhia nesta viagem que decidi fazer sozinho.

Ah.... Lar, salgado lar!


PS: Empresto o frasco de sal grosso a quem queira continuar a Rota :D





Lyon, uma luta contra o tempo

O nevoeiro sobre o Vltava dava a sensação de estarmos perante um trajeto de água quente, não fosse eu sentir o frio do ar que o sol ainda não aquecia. Dentro do autocarro para o aeroporto, contornei Praga juntos ás margens do rio. Os belos telhados negros e pontiagudos que se destacavam á distância não deixavam perceber se teriam os céus descido sobre a cidade ou se teria sido ela a elevar-se sobre as núvens.
Desde a hora de almoço que estou no aeroporto de Lyon, de onde só vou sair ás 17h30 e até lá cada minuto vencido será celebrado em silêncio. Qualquer rua com pessoas não está a distância de um par de ténis, não de forma a valer a pena e a regressar em tempo útil. Os próprios comboios e autocarros demoram a chegar ao centro, de forma que optei por ficar por aqui. Com duas horas pela frente, já esgotei as ideias para passar o tempo, embora já tenha estado mais longe de armar aqui uma brincadeira com o sal grosso. Tenho um palpite que no gabinete da "Emigração" sempre o tempo mais depressa, enquanto tento convencer a polícia francesa a seguir o blog d'A Rota. É engraçado que enquanto escrevia isto passaram aqui três militares armados da cabeça aos pés, como se Deus me estivesse a mostrar os meninos a quem eu teria que dar explicações. Percebi a mensagem. Realmente, é o mínimo, oh Deus, fartei-me de te visitar nestas férias. Já agora, roda aí o botão do tempo que ainda tenho que ir para Lisboa tratar do jantar.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Muito prazer, Praga!

Num último dia esticado ao máximo, resolvi regressar ao método da sapatilha. Andei desde as 9h e pouco até agora a atravessar as pontes e a deambular pelas ruas enquanto movia o organismo à força das iguarias da terra. Não é que sejam pratos tradicionais, mas são as delícias que vejo os checos comer e turismo para mim é isto. Isto e andar a tirar fotos com sal grosso em primeiro plano.
Resolvi começar o dia a seguir conselhos e fui ao Cemitério Judeu. Acontece que ontem e hoje são dias importantes no calendário judeu e todos os monumentos relacionados com o judaísmo estão encerrados. Deu para espreitar da rua, ainda assim, e ter uma ideia do atropelo em que estão as pedras tumulares. Outros dos edifícios que gostava de visitar era o Teatro Nacional, por fora fantástico, por dentro não faço ideia porque parece estar encerrado para renovação, como aliás o Museu Nacional, o que até calhou bem porque embora seja um ponto indispensável, não me estava muito a apetecer museus a esta altura do campeonato. Assim olha, estava fechado, que pena! O Dancing Building lá levou a foto, mas ao vivo não é assim tão giro como em algumas fotos dos guias. Num grito de revolta, comi uma espetada como os locais o fazem, dentro de uma baguete com mostarda e ketchup (bem bom!!!), e saí da zona turística. No mercado de Praga, do outro lado do rio, acessível por uma ponte que nem pode ser atravessada a pé, arrependi-me da caminhada assim que comecei a topar o tipo de produto que lá se vendia. Desde catanas, facas de algibeira e aquelas estrelinhas que os ninjas usam nos filmes, armas brancas adaptadas a qualquer esconderijo, passando por produtos de marca contrabandeados e, claro, droga, ou não estivesse eu no país mais liberal da União Europeia relativamente ás drogas (não, não é a Holanda). A venda, ainda assim, é proibida, mas uma coisa é o que diz a lei e outra é o que dizem os meus olhos (para o caso do Daniel Oliveira não me convidar para o programa dele, aqui fica já a resposta). Ainda para mais, os comerciantes eram todos asiáticos com aspeto de serem mestres de artes marciais. Restou-me baixar o profile, retirar os óculos, esconder os mapas, tapar o relógio com o casaco, mãos nos bolsos, sobrolhos ligeiramente cerrados e sorriso abolido, e já que alí estava meti-me lá para dentro, perfeitamente preparado para levar de Praga um souvenir sob a forma de trauma físico e/ou mental. Claro que não foi bem este o estado de espírito mas confesso que me senti um bocado maricas quando encontrei uma velhota a sair de lá com um saco cheio de compras, que no caso dela eram alfaces, corcunda e com aspeto a quem apetece proteger. Em 10 minutos cheguei, vi e vim embora, já um bocado tocado pelo cheiro a erva que andava no ar. Fiz uma última ronda pela cidade e voltei para ver o Relógio Astronómico de São Miguel. Não o sei ler, mas é uma peça de arte a funcionar a céu aberto. As lojas de souvenirs estão cheias de réplicas em madeira (mas que dão só as horas) e não tivesse eu limitado a uma mochila, levava uns 5 ou 6.
Ao final da tarde, descobri o Metrónomo, um monumento no alto de um jardim de onde se avista toda a cidade. Muitíssimo bom ao final da tarde. Deu para apreciar a vista e pela quarta ou quinta vez em quinze dias voltei a ter pena de ir embora quando se começa a ganhar o gostinho. São precisos mais do que dois dias para conhecer Praga, não pelo tamanho mas pelo tempo que as coisas demoram a ver e pelo que a cidade oferece a quem cá vive (espaços verdes, ciclovias, passeios bem cuidados junto ao rio, ...). Mas pronto, o conceito é mesmo este, certo?! Chegar, salgar e seguir caminho.
Tudo bem, gente.







Suponhamos...

A língua checa é uma ciência á parte, mas pela localização da placa podemos supor que está ali escrito qualquer coisa como "Não pisar a relva". Ou então não, senão como é que eu me vou sentar no banco que está lá no meio?!


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

E depois das bananas, veio Praga!

Noite longa! O jantar decorreu num ambiente de despedida e quando demos por nós já estava na hora do adeus. Saí do hostel com o estômago cheio de asas de frango com massa, um litro e meio de cerveja (do qual meio litro foi de penalty) e uns shots de vodka lá da terra, bem bom por sinal. Pus o pés na rua quando faltavam 20minutos para o comboio partir e ainda tinha que ir comprar a bucha ao supermercado. Foi intenso!
Só tive tempo de pegar num cacho de bananas, uma garrafa de água de litro e meio, duas barrinhas de cereais bem maiores do que aquilo a que estou habituado e um pacote de M&M's. Resultado: cheguei a Praga a deitar bananas pelos olhos e cereais nem vê-los, porque a barrinhas eram na verdade uma raça manhosa de bolacha coberta com chocolate. Fiz a viagem sentado e pelas duas ou três da manhã já tinha as duas nalgas mais planas do que muitas planícies do meu Alentejo. E não sei que raio de comboio era aquele, que não passava dos 30 ou 40 km/h. Quase que mais valia ter vindo de burro! No meio disto tudo ainda deu para observar as minhas duas colegas de carruagem, uma brasileira e uma checa, sem perceber se tentavam arranjar uma posição confortável para dormir ou se estavam a testar os limites da flexibilidade do corpo humano.
Cheguei bem melhor do que estava á espera, sem um sono longo mas com muitos curtos, e praticamente sem cú!!! Já tenho hostel e dois dias pela frente para conhecer Praga. Como já estou farto de Igrejas, e aqui também há muitas, hoje vou a uma exposição de instrumentos de tortura, só para quebrar um bocadinho a rotina. Já tive a bater uma papo com um polícia para pedir indicações. Como ele não falava inglês, dei o meu melhor em português gesticulado, que por acaso é muito parecido ao checo gesticulado. Que alívio, fica mais fácil quando se visita um país sem grande barreiras na comunicação! Tudo em cima, como já vem sendo hábito.
Na foto, sal grosso na St. Charles Bridge.